
Com o tempo, às letras do meu nome foram acrescidas muitas outras e aos poucos aprendi a ler e escrever, os ditados começaram a ser constantes e a leitura, abertura de um mundo maravilhoso e completamente encantador. As placas e a faixas na rua me deixavam com dor de cabeça, pois tentava ler mesmo estando em movimento, ler de trás para frente, ler só a metade, mudar significados, passaram a ser brincadeiras interessantes.
O aprendizado trouxe um diploma, e um teatro foi programado pelas professoras, para encantar os pais no dia mais importante, o dia da formatura! As professoras ensaiavam a peça com todos os alunos do 3º período, e o interesse pelo teatro foi imediato, enquanto uns choravam e faziam tudo errado, lá estava uma flor amarela muito feliz!
Enfim, recebemos o diploma, tão importante para os pais, que nada mais é do que a representação de uma etapa de aprendizado. É como se todo aquele processo de aprender a ler e escrever, estivesse contido naquele papel que veio dentro daquele canudo. Vou falar a verdade, a melhor coisa da minha formatura foi um livro que ganhei, chamado "A tampa da Panelinha" e foram milhares de vezes que li o tal livro dado pela escola.
Bom, me formei e tive ótimas férias, só que na volta às aulas, época que sempre adorei pois os materiais novos me deixavam ansiosa, descobri que o Colégio Nossa Senhora de Pompéia tinha sido comprado por uma rede de escolas particulares e passou a ser o Colégio São Francisco de Assis, do Sistema Arquidiocesano. O uniforme mudou, algumas professoras novas chegaram e o lago secou, mas muitas flores e árvores cresceram.
A entrada era marcada por um sinal e o pátio enorme era preenchido pelas filas de alunos organizadas por turma. Antes de seguirmos para a sala cantávamos o hino nacional e rezávamos a oração de São Francisco, que ainda hoje considero a oração mais linda. Depois de cantar e rezar a subida para as salas acontecia e a aula começava, assim como as cobranças, o trabalhos, muitos para casas, e uma novidade: a prova, que era um exercício só que a gente não podia conversar nem olhar nada no livro, tinha que lembrar, e isso valia ponto, e se não tirasse os pontos suficientes, tomava bomba!! bomba...bomba...com 6 para 7 anos a gente entende que se não fizer a prova direito vai estudar tudo de novo, vai repetir todo aquele ano.
Já na primeira série começávamos a preparação para a 1ª comunhão, que seria na 4ª série. A religião sempre foi presente mesmo antes, pois o colégio sempre fora de educação católica, o que de nenhuma maneira excluía outras religiões nem incentivava apenas o catolicismo.
A primeira e a segunda séries passaram muito bem, as notas eram boas, eu descobri que ciências era super interessante! As travessuras dos meninos se tornavam mais presentes a cada dia e de repente eu que era quietinha, me vi colando chicletes no cabelo de uma amiguinha, a Olívia. A professora disse que chamaria minha mãe até a escola e eu ainda não entendia muito bem o motivo de ter feito aquilo...ela chorava de um lado e eu do outro. A professora não chamou minha mãe, mas teve uma conversa comigo, e eu entendi que não deveria ter feito aquilo e não repeti nunca mais esse tipo de travessura.
Foi na 3ª série que senti uma enorme dificuldade, que seguiria ao meu lado por toda minha vida escolar, a matemática era a pedra no meio do meu caminho! As notas começaram a cair e as perdas de média passaram a ser constantes. A professora Júnia dizia que eu vivia nas nuvens, mas eu acho mesmo é que me transportava daquela aula chata de matemática para um lugar onde poderia ser feliz, adorava imaginar as pessoas azuis iguais as da historinha da revista alegria que minha mãe comprava todo mês para mim.
As responsabilidades aumentaram, as provas tinham que ser assinadas pelos pais, para provar que eles acompanhavam o rendimento dos filhos. Sempre achei isso uma bobagem, mas enfim fazer o quê? As regras a seguir eram cada vez mais numerosas, do uniforme aos deveres, tudo era meticulosamente rigoroso. Consequências do crescimento = adquirir responsabilidades.
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